Querido Caio,
...faz tempo. faz tempo que faço e no feitio do tempo - em retribuição - ele me faz [ou será o contrário?].
E minha língua empena, tal como a sua. ou empena diferente? é a língua ou a linguagem que dá nó nas minhas idéias? as idéias nasceram enroladas de pai e mãe mesmo? ou foram se emaranhando no caminho?
não sei... e juro que a felicidade me pega pela mão quando percebo que não sei. a felicidade simples de saber que não sei e que essa ignorância me faz disposta a tudo. aos afetos e ao que afeta. Lígia Pappi me afeta. suas lacunas preenchidas de escuridão, suas pontes tecidas em fios dourados, arco-íris amarelos sem começo e sem fim. marcas fixas no chão sem destino. túneis sobrepostos em sombra e luz. passagens secretas para um mundo idílico: jogo de esconde esconde. sutil. como traduzir seu jogo em palavras? a língua se enrola ou me enrolo nela. sabendo e não sabendo ao mesmo tempo. vou seguindo e vou tropeçando nos tempos e nas palavras. palavras. tantas palavras. tantas línguas. erros?
percebo que não há erro quando o entendimento se dá entre duas línguas. [há?]
ainda não sei. e mais uma vez sorrio e celebro a ignorância de tudo. como é bom não saber e me expor à arte, aos jardins, aos cheiros, aos gostos, à vida e, claro, à língua estrangeira que me atravessa há mais de trinta dias. todos os dias. todas as horas do dia, mesmo aquelas mais fugidias da madrugada, entre sussurros e afagos.
e as palavras? amigas inseparáveis, pontes que me conduzem da luz para a escuridão com passagem de ida e volta. ah, as palavras... elas me faltam tanto e não fazem falta agora que fui atravessada por tantas línguas quanto conheço e mesmo por mais tantas que desconheço. dia e noite. noite e dia.
faltam palavras e línguas para expressar o que me atravessa a vida a esta altura, Caio, querido. encontrei a ponte para o sempre e ela me leva e traz todos os dias sem cobrar pedágio ou passagem. estou simplesmente feliz, já que perguntou.
Agradeço as palavras ofertadas quase com devoção. Agradeço a experiência de tê-lo do lado de lá da esperança. Agradeço.
Sua sempre,
Anita
P.S. Ver Lígia Pappi ilumina a alma mesmo na escuridão.
Anita escrevia cartas, a grande maioria delas para Caio Marques, um homem que influenciou evidentemente a vida e algumas importantes escolhas dela. Compartilhava idéias e sentimentos quase compulsivamente. Quem é Anita Lopes?
quinta-feira, 8 de março de 2018
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Carta dos Silêncios Compulsórios - Título Provisório
Caio, querido
Nossas distâncias em lugar de nos aislar nos aproximam. Cada vez que ouço tua voz, seja nas letras, seja em tecnologias sei que somos sempre e sempre seremos. Das novas que não partilhamos, divido agora do corriqueiro que me tem assediado a cada instante. Convite para o enamoramento das pequenas cotidinianidades [isso existe?].
Não sei se sigo os dias ou se eles me seguem. Desde que voltei de Montevidéu vivo por detrás dos óculos de sol, cachecol de algodão fino ao vento, indo e vindo, me [re]constituindo, ampliando meus horizontes numa pequena cidade de cem mil habitantes.
Mas esta carta não é sobre a cidade e eu. Reservarei uma especialmente para falar desta relação diária com as descobertas deliciosas que tenho feito por aqui. Esta carta é para te dizer de janelas que abrem e fecham, de silêncios compulsórios, de tatear na escuridão em busca de clareza.
Esta é para dizer o que tu já sabes há muito e te contar que tenho percorrido caminhos não habituais. Escolhi fazer escolhas novas. Tenho me experimentado em outros papéis, em novos scripts como quem prova uma comida exótica. É um jeito bonito e poético de experimentar-me outra e escapar da dor.
Sempre fui uma alienígena. De súbito sou tão humana, com dores e sonhos tão humanos. Minha forma de transitar no mundo e nas relações antes de me esquivar da dor, agora me joga na boca do leão, me põe cara a cara com a beira do abismo. E lá, bem no alto, sinto o vento fresco da liberdade de estar noutro lugar, noutra posição do triângulo.
E num paradoxo me revelo tão imensamente pequeno burguesa, com sonhos tão pequeno burgueses. E isso tudo é julgamento, me dirias espantado. E eu te confirmarias que sou isso também. Nada extraordinário, apenas uma mulher diante de um homem querendo um parceiro de jornada.
Esta é uma carta de quereres. Quereres aprisionados num silêncio compulsório. Quereres sob a tortura discreta de uma uma janela que se abre apenas quando o dono da chave decide abrir. Sinto-me presa do lado de fora. A espera de uma janela que se abre. E que não se abre.
Tu me perguntarias o que me mantém diante da janela à espera de uma ração medida de afeto. Te dirias, sem qualquer constrangimento, que o que vi do lado de lá da janelinha me pareceu raro. Raro e belo. Forte e inexplicavelmente destoante de todo o resto.
E te confessaria, sem rancor ou pudor, que já duvido de mim e do que vi. Chego a pensar que foi miragem ou alucinação. E busco nos baús da vida referências a fantasias infantis. Sem êxito. E a areia segue escorrendo por entre os dedos e na ampulheta.
Experimento ser expectadora de minha própria história. E surpreendo-me com a experiência de ser platéia, em lugar de ser estrela. De estar na coxia em lugar de sobre o palco. Experimento por um instante ser a sub, desempenhando um papel menor em lugar de interpretar o principal.
Há algo de desconfortável em viver novos papéis, há algo de belo e algo de desafiador. E é no desafio que me reconheço. Quase posso ver teu sorriso largo se abrindo do lado daí das letrinhas. Posso te ouvir dizendo 'touché!', antecipando todo o entendimento do encanto das minhas novas andanças.
E por ser carta de quereres e de confissões, mando-te que [é o desafio também]fui capturada e talvez me negue a ser resgatada por viver a síndrome de Estocolmo. E quase ouço tua gargalhada!
Tiro os óculos [mas não o cachecol] e poderás ouvir a gargalhada com que te respondo, deixando a cabeça cair para trás, os ombros subirem para logo se dobrarem sobre mim mesma. Tudo cena, que afinal, antes de tudo e qualquer coisa, sou atriz. Tu bem sabes! Pessoa há de me entender.
Deixo-te agora, espero que sob estrondosos aplausos, tomada de saudades.
Volte logo, vivo sem você, mas não gosto.
Tua sempre,
Anita Lopes
Nossas distâncias em lugar de nos aislar nos aproximam. Cada vez que ouço tua voz, seja nas letras, seja em tecnologias sei que somos sempre e sempre seremos. Das novas que não partilhamos, divido agora do corriqueiro que me tem assediado a cada instante. Convite para o enamoramento das pequenas cotidinianidades [isso existe?].
Não sei se sigo os dias ou se eles me seguem. Desde que voltei de Montevidéu vivo por detrás dos óculos de sol, cachecol de algodão fino ao vento, indo e vindo, me [re]constituindo, ampliando meus horizontes numa pequena cidade de cem mil habitantes.
Mas esta carta não é sobre a cidade e eu. Reservarei uma especialmente para falar desta relação diária com as descobertas deliciosas que tenho feito por aqui. Esta carta é para te dizer de janelas que abrem e fecham, de silêncios compulsórios, de tatear na escuridão em busca de clareza.
Esta é para dizer o que tu já sabes há muito e te contar que tenho percorrido caminhos não habituais. Escolhi fazer escolhas novas. Tenho me experimentado em outros papéis, em novos scripts como quem prova uma comida exótica. É um jeito bonito e poético de experimentar-me outra e escapar da dor.
Sempre fui uma alienígena. De súbito sou tão humana, com dores e sonhos tão humanos. Minha forma de transitar no mundo e nas relações antes de me esquivar da dor, agora me joga na boca do leão, me põe cara a cara com a beira do abismo. E lá, bem no alto, sinto o vento fresco da liberdade de estar noutro lugar, noutra posição do triângulo.
E num paradoxo me revelo tão imensamente pequeno burguesa, com sonhos tão pequeno burgueses. E isso tudo é julgamento, me dirias espantado. E eu te confirmarias que sou isso também. Nada extraordinário, apenas uma mulher diante de um homem querendo um parceiro de jornada.
Esta é uma carta de quereres. Quereres aprisionados num silêncio compulsório. Quereres sob a tortura discreta de uma uma janela que se abre apenas quando o dono da chave decide abrir. Sinto-me presa do lado de fora. A espera de uma janela que se abre. E que não se abre.
Tu me perguntarias o que me mantém diante da janela à espera de uma ração medida de afeto. Te dirias, sem qualquer constrangimento, que o que vi do lado de lá da janelinha me pareceu raro. Raro e belo. Forte e inexplicavelmente destoante de todo o resto.
E te confessaria, sem rancor ou pudor, que já duvido de mim e do que vi. Chego a pensar que foi miragem ou alucinação. E busco nos baús da vida referências a fantasias infantis. Sem êxito. E a areia segue escorrendo por entre os dedos e na ampulheta.
Experimento ser expectadora de minha própria história. E surpreendo-me com a experiência de ser platéia, em lugar de ser estrela. De estar na coxia em lugar de sobre o palco. Experimento por um instante ser a sub, desempenhando um papel menor em lugar de interpretar o principal.
Há algo de desconfortável em viver novos papéis, há algo de belo e algo de desafiador. E é no desafio que me reconheço. Quase posso ver teu sorriso largo se abrindo do lado daí das letrinhas. Posso te ouvir dizendo 'touché!', antecipando todo o entendimento do encanto das minhas novas andanças.
E por ser carta de quereres e de confissões, mando-te que [é o desafio também]fui capturada e talvez me negue a ser resgatada por viver a síndrome de Estocolmo. E quase ouço tua gargalhada!
Tiro os óculos [mas não o cachecol] e poderás ouvir a gargalhada com que te respondo, deixando a cabeça cair para trás, os ombros subirem para logo se dobrarem sobre mim mesma. Tudo cena, que afinal, antes de tudo e qualquer coisa, sou atriz. Tu bem sabes! Pessoa há de me entender.
Deixo-te agora, espero que sob estrondosos aplausos, tomada de saudades.
Volte logo, vivo sem você, mas não gosto.
Tua sempre,
Anita Lopes
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Carta que não se despede
Querido Caio,
Eu preciso te contar que me encontrei nessas pradarias. Impossível me despedir de Montevideo sem deixar uma parte de mim. Parte importante que aqui se instala a espera do meu retorno como criança em porta de escola esperando pela mãe.
Eu preciso te contar que me encontrei nessas pradarias. Impossível me despedir de Montevideo sem deixar uma parte de mim. Parte importante que aqui se instala a espera do meu retorno como criança em porta de escola esperando pela mãe.
Assim é... Quando teu lugar é tantos encontrar-se numa parte do avizinhada do mundo é deixar-se ficar um pouco, em parte e partir sem olhar para trás e já com desejo de voltar.
Fica a imaginar quando poderei regressar ao tempo em que sinto que está longe longe daqui a oportunidade. Quem sabe o que o futuro me reserva em minha nova morada. Esta a que me propus uma experiência de permanência. Lograrei? Não sei, nunca sei quando de súbito recolherei as roupas do varal direto para a maleta e montarei a casa nas costas para noutras paragens me instalar com ânimo definitivo enquanto dure.
A ver, te diria, se me ouvisses agora. Mas não me ouves agora, por que este Caio a quem escrevo não está neste momento. É Caio que vive num futuro distante e distópico, numa Montevideo de muros erguidos, num mundo cheio de fronteiras fechadas em que assumimos máscaras que nos revelam e alguns exibem rostos desnudos em assintoso afronte ao direito sagrado dos demais.
Sim, a distopia nos flagrará em alguns anos e tu, Caio serás o mensageiro destas notícias agora antecipadas a mim.
Sei que serei mais feliz quando te encontrar em minhas linhas curtas, numa prévia de um metaverso multiversátil qualquer.
O encontro será inevitável por tudo o que vivemos cada vez que sonho com Montevideo desde o agora findável ao infinito não vivido ainda.
Espero você em algum momento daqui para adiante.
Em algum lugar insuspeito ou momento utópico.
tua desde já,
Anita Lopes
sábado, 14 de outubro de 2017
Carta das Ausências
Querido Caio,
Ainda estou aqui. Sua ausência a esta altura da viagem é a presença mais constante. Fui tomada pelo inesperado e vou ficar mais dois dias. Montevidéo me acalma. O Uruguai me acalma. Toda a calma e a paz que preciso faz parte daqui.
Ontem fui a Colônia del Sacramento e meus olhos viajaram pelas pradarias por horas imaginando as montanhas, os cumes, os montes e as serras. Não havia. Não há por estas plagas tais paisagens.
Então vi o mar se abrir diante dos meus olhos e entrei numa canoa que me levou ao encontro de minhas urgências, remei por horas ensaiadas e ainda assim você não estava lá. Não somos urgentes e canoas não sobem montanhas dirias. E eu não poderia deixar de concordar contigo.
Tua ausência ficou ainda mais presente. Busquei teus olhos pelas ruas, nas praças, quis saber notícias e pela primeira vez disse sim para as nossas impossibilidades. Elas soam tão sólidas, não sei se foi o frio cortante aqui no Cone Sul ou se a distância temporal. Inevitável. Sigo.
Vento nos cabelos.
Pôr do sol.
Câmera se abrindo em panorâmica imagem das ruas largas, dos muros de pedra, do mar. Meu infinito particular.
Sigo.
E quanto mais teus olhos me buscam, mais faz parte de mim tua presença. Por um instante, a revelia de toda lógica sinto a força do encontro que não se desfaz. Sinto-me inteira. Inteira em mim. Inteira em ti. E sigo. Suave, quase em paz, sigo esse sentido de pertencimento que encontrei nos teus olhos.
Abrigo.
Os pensamentos tomam o céu e sei que por onde for, estarás comigo e cada hora juntos será a eternidade em mim. Sinto que és o que és. Sou quem sou e de nós algo surgiu. Meu mundo é outro depois que me arrisquei nos Canyons e me entreguei a teus picos. Depois que penetrastes meus abismos e mergulhastes nas minhas profundezas.
Sou eu pelos Bulevares de Montevidéo ou pelas calles de Colônia.
És tu nas montanhas, nos montes ou nas serras.
Somos em qualquer parte testemunhas de que existe encontro a despeito de qualquer impossibilidade.
Fica com a força das deusas enquanto me entrego às brumas.
Tua sempre,
Anita
Ainda estou aqui. Sua ausência a esta altura da viagem é a presença mais constante. Fui tomada pelo inesperado e vou ficar mais dois dias. Montevidéo me acalma. O Uruguai me acalma. Toda a calma e a paz que preciso faz parte daqui.
Ontem fui a Colônia del Sacramento e meus olhos viajaram pelas pradarias por horas imaginando as montanhas, os cumes, os montes e as serras. Não havia. Não há por estas plagas tais paisagens.
Então vi o mar se abrir diante dos meus olhos e entrei numa canoa que me levou ao encontro de minhas urgências, remei por horas ensaiadas e ainda assim você não estava lá. Não somos urgentes e canoas não sobem montanhas dirias. E eu não poderia deixar de concordar contigo.
Tua ausência ficou ainda mais presente. Busquei teus olhos pelas ruas, nas praças, quis saber notícias e pela primeira vez disse sim para as nossas impossibilidades. Elas soam tão sólidas, não sei se foi o frio cortante aqui no Cone Sul ou se a distância temporal. Inevitável. Sigo.
Vento nos cabelos.
Pôr do sol.
Câmera se abrindo em panorâmica imagem das ruas largas, dos muros de pedra, do mar. Meu infinito particular.
Sigo.
E quanto mais teus olhos me buscam, mais faz parte de mim tua presença. Por um instante, a revelia de toda lógica sinto a força do encontro que não se desfaz. Sinto-me inteira. Inteira em mim. Inteira em ti. E sigo. Suave, quase em paz, sigo esse sentido de pertencimento que encontrei nos teus olhos.
Abrigo.
Os pensamentos tomam o céu e sei que por onde for, estarás comigo e cada hora juntos será a eternidade em mim. Sinto que és o que és. Sou quem sou e de nós algo surgiu. Meu mundo é outro depois que me arrisquei nos Canyons e me entreguei a teus picos. Depois que penetrastes meus abismos e mergulhastes nas minhas profundezas.
Sou eu pelos Bulevares de Montevidéo ou pelas calles de Colônia.
És tu nas montanhas, nos montes ou nas serras.
Somos em qualquer parte testemunhas de que existe encontro a despeito de qualquer impossibilidade.
Fica com a força das deusas enquanto me entrego às brumas.
Tua sempre,
Anita
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
Gaspar
Querida Anita,
tu que vives sempre à seguir, saibas que seguirei em busca de ti. Tu que és tantas. Tu que és muitas. Tu que és toda um sem fim de possibilidades e partidas e chegadas e desapegos. Tu, que apesar de tudo e todos és também um porto seguro aos olhos meus pousados nos teus.
tu que vives sempre à seguir, saibas que seguirei em busca de ti. Tu que és tantas. Tu que és muitas. Tu que és toda um sem fim de possibilidades e partidas e chegadas e desapegos. Tu, que apesar de tudo e todos és também um porto seguro aos olhos meus pousados nos teus.
O abraço segue aqui atado e todo o calor energético ainda pulsa aquecendo corpo e alma. Meus braços pareciam buscar o inalcançável, meu peito aninhou_se confortável junto ao seu. Por segundos, creio, estivemos donde nunca imaginemos outrora.. E saibas, foi tão bom ter contigo ali no "entre_lugar" do insondável do mais sagrado de nós.
Pudesses ouvir a sonoridade de minhas palavras e suspirarias meus suspiros, apenas por lembrar de ti, escorregadia em saudades, em urgências...e eu aqui, teso, rijo à conter tantas urgências.
O homem que não escolhestes, que se refugia no fundo estrelado da canoa, que pererecando brinca em meio as palavras e limoeiros e terreiros, gosta deveras de sentir_se menino nos olhos teus, tão meus...ainda hoje em fantasias estivemos contigo nas paragens montanhosas, após ingrime trilha percorrida, fitamos uma belíssima cachoeira, onde banhava_se sacralmente Oxum, mamãe das águas, da beleza e de ti..foi ela quem convidou a nos banhar em suas santas e gélidas águas, hoje, logo hoje, que na cidade maravilha purgatório da beleza e do caos o calor beira aos 40º. Sonho!!
Aprecio te_la pelas mãos à passearmos em sonhos de lugares, ainda que fujas e sigas, estaremos sempre atados às paisagens, ainda que improváveis, que os olhos nossos vão tecendo à medida que mais se enxergam. Podes seguir. Podes escapar. Podes olhar de soslaio. Podes nem olhar pra trás, mas não podes mais mudar o que foi, o que fomos. Ainda que caminhes, que plantes, colhas e faças tudo o mais que queiras fazer, algo impõem_se dogmático: "Serei sempre o homem que não escolhestes"!
Deixo_te com o calor do nosso abraço que num sopro aproximou_nos de toda uma divindade!
Seu,
Gaspar
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