quinta-feira, 31 de maio de 2012

Alberto Tibaji: Querida Anita

Alberto Tibaji: Querida Anita: Espero que esta te encontre bem de saúde. Assim, caso eu tivesse agora meus dez anos de idade, eu iniciaria esta carta. Perguntaria ...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cabo Frio

Alberto,

Hoje estou tão triste... Às vezes chego a pensar que Caio Fernado Abreu é meu alter ego [santa arrogância!]. Mas vê lá se não é, Alberto, você que me conhece e que sabe da história de Cabo Frio, olha esse fragmento dele se não sou eu:

'Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.'

... E não foi. E quer saber, por que há sempre quem queira mais do que você pode ofertar e não se contenta e não se 'submete' e se ofende se não for no tempo e na hora que quer as coisas, como se fora o umbigo do mundo.  Como se o mundo fosse guiado por controle remoto e tudo girasse em torno dos planos feitos.

Perplexidade me causa essa a falta de capacidade de lidar com a frustração que parece epidemia nesse mundo pós-moderno. O mundo gira, gira o mundo. Às vezes  planos não acontecem como foram feitos [frequentemente, eu diria, sem medo de errar]. E que mal há nisso, não é Alberto? [não me conformo: estou inconformada]. Tantas coisas acontecem. Somos tantas e tantos.

A reação me causou de tal modo que me senti socada no estômago. Só pode ter algo de errado nisso. Senti-me agredida, sabes? Mesmo, muito agredida com aquela fala que virava as costas sem conversar. Lembrei-me de imediato da minha primeira experiência com um homem. Não! Não quero isso. Sinto muito. Essa roupa não me serve.

Virei as costas [arrasada] com o equívoco a tamborilar as temporas. E o final de semana que prometia ser mágico, virou esse soco no oco. Solto o ar numa baforada longa e generosa comigo mesma. Cansaço. Quanto mais eu rezo, Alberto, querido, mais assombração me aparece. E quando penso que encontrei alguém com alguma maturidade emocional... Puff...

Não me leve à mal, perdoe-me esse desabafo inominável. Mas, sabes como sou, pura paixão, pura emoção em estado bruto.

Deixo-te com um afetuoso abraço e um olhar daqueles que pede um colo, um chocolate quente para aquecer o corpo [e a alma].

Tua sempre,

Anita.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Carta a Alberto

Querido Alberto [ou serás Caio X?},

Sinto-me transbordar. Tanto tempo sem essa sensação. O tempo voa e em suas asas planas equilibram-se histórias de um passado remoto, que teimam em ressurgir. Em vão. Meu momento é agora... e nesse tempo transbordo.

Sou toda emoção desde alguns dias quando num tropeço encontrei [me]. Sim, em meio à multidão encontrei [me]. Foi rápido e fugidio o encontro. Foi mesmo surpreendente e pareceu passageiro. Mas não foi. Algo de mim ficou, algo veio comigo para casa - refúgio das minhas sentimentalidades escondidas - e guardou-se tentando adivinhar o devir.

Veio comigo e assim foi. E é [mas o que seria?]. Juro que não saberei nomear, mas sei sentir e sinto. São sensações contraditórias e o corpo é o mensageiro delas. Calor e frio se alternam no tempo/espaço desse devir [ou seria o contrário]. Há um impulso e o pulso. Sim, o pulso pulsa esses sentidos sem nome, sem respostas e sem perguntas.

E vive a incerta certeza de ir aos poucos se entregando ao transbordar. As certezas [há certezas!] estão ali, expostas como veias abertas e eu olho fixamente para elas. Não há respostas possíveis, nem questões prováveis. Não há margem para perguntas, sequer chego a ter dúvidas. Então, apenas olho. E dou-me conta que a criança de cinco anos às voltas com suas infindáveis indagações, aquietou-se.  E seu silêncio dá espaço para o sentir simplesmente. E sinto. E no sentir uma menina travessa faz estrelinhas no corredor infinito, conclui de pé o exercício, bochechas rosadas: suada, feliz e de pé.

A mulher que gosta de balanço a tudo observa e sorri seu sorriso sereno. Tudo parece estar onde está. E assim é, querido Alberto. E assim tem sido dias passados. E de ti, que podes dizer?

Sua [sempre]

Anita

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Resposta ao Desconhecido I


A semente guardada [no peito] já definhava quando tuas perguntas silenciosas  surgiram diante de mim e... Nem queira saber.

A verdade é que chegaram feito vendaval, deslocando todas as certezas absolutas, deixando um rastro de dúvidas, um caminho marcado de incertezas mudas.

Ainda assim, sabe-se lá o porquê, plantou-se um sorriso no canto da boca e estrelas vieram morar em meus olhos [aqueles mesmos que te revelaram tanto]. Sorrateiras, iluminaram os cantos escuros, desvendando sonhos que não sabia ter.

Há um vento frio percorrendo todo o corpo, vindo não sei bem de onde, indo em direção à boca [do estômago]. Há um arrepio incerto nesses sentimentos tortos. Prosa ou poesia? E as interrogações dão crias e a imaginação voa alto [e fundo], fazendo piruetas no (m)ar.

E eu, que por tanto tempo esperei o inesperado, ouço tua voz nas letras lidas e nem sei tua sonoridade. Mas não importa. Aí há quem escreva cartas, aqui também.

A.L.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Derradeira Máscara

Caiu a última máscara, Caio Marques.

A atitude mesquinha e pequena por fim revelou o tamanho desprezível do caráter que se ocultava por detrás de teu gigante [ego]. Não me supreende, mas nem por isso deixa de chocar-me.

Saio do encontro em que me foi revelada sua vilania com um sorriso no rosto. Não chego a compreendê-lo [o sorriso] mas não posso deixar de sorrir. Seria pela tranquilidade de já não estar mais compartilhando a vida contigo? Talvez.

Seria pela certeza de ver revelada a natureza por mim descoberta? Pode ser. Quem sabe o sorriso mostre apenas a satisfação íntima por vê-lo se dando ao trabalho de mandar recados. [já havia recebido seus recados], esperando por respostas.

Bem, se é resposta que quer: Ei-la!

O que não me faz falta não é importante.

Sigo adiante, sem olhar para trás. Nada há atrás que me interesse.

A.L.