segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Carta a M.

M.,

Esse (re)encontro me tirou o fôlego, ao tempo em que abriu portas e janelas, deixando fluir novos ares por aqui.

Os encontros, assim como os (re)encontros provocam deslocamentos, por mais sutis que pareçam. Não somos [sou] imunes àqueles que passam [ou ficam] em nossas vidas, mesmo que por curtos [curtíssimos?] espaços de tempo. Há quem diga que algo se deixa e algo se leva do outro, mesmo que apenas lembranças.

Certamente esse (re)encontro provocou deslocamentos em mim. Despertou sentimentos e sensações. Fez borboletas nascerem no estômago, baterem asas até chegarem à boca, para aí tomarem conta do céu, em busca de liberdade. Liberdade de ser.

Mas era tão novo tê-las batendo asas no céu da minha boca... Tive que conter a língua, que afoita, queria expressar as sensações despertadas. As borboletas são delicadas e suaves. Carece ter cuidado. Um susto pode machucá-las. A língua [ah, a língua...] é impetuosa. Eternamente inconformada por ter de conter-se [ou estar contida?].

Nessa dança leve e louca, a língua revelou-se [me]. E tive medo do que fizera e de quantas borboletas posso ter matado. E acho que matei algumas, outras me escaparam pela boca aberta. Algumas seguem batendo asas no estômago e acalentando sonhos. Sonhos de ser.

E ser não é pré datado nem rotulado ou  (pre)visível. É presente [em todas as suas acepções]. O que é esse reencontro, senão o que é e o que  tem sido? Sinto que aqui não cabem etiquetas. Não há espaço para conceitos ou definições. Tal qual as borboletas, o (re)encontro é. E é agora e em cada agora vai se constituindo [no gerúndio mesmo] por que é movimento, transformando-se, transmutando-se. É.

É a troca [de idéias]. É fruir as sensações que provoca. É a liberdade de expressarmo-nos plenamente, sem censura ou filtro. Sem fronteiras ou muros. Sem medo. Sem medo de ser, simplesmente ser. Por que entendemos a linguagem, (re)conhecemos [?] os signos e o valor desse fluxo livre e limpo.Não é conceito e traduz um novo olhar [e jeito] de tecer relações.

Afinal, não pode haver começo OU fim, mas há começo E fim  [dos ciclos, dos passos, dos caminhos, dos sonhos, das realizações].

Não importa o que sejamos. Somos.

Um em relação ao outro, simples assim.

[no plural]

Anita




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