segunda-feira, 13 de maio de 2013

sem hierarquias, por favor!

assim te respondo, caioMARques

sinto que assim nos encontramos. a carta sobre Alfonsina finalmente encontrou resposta. custou, mas te encontrei sereno. sereno como não fomos até aqui e curiosamente é com a mesma serenidade que busco palavras para dizer que nunca estive tão feliz. se olharmos em volta, são cartas e cartas para lá e para cá que não se encontram.  morro de sono, os olhos fecham, quase desmaio. mas insisto, quero te escrever. quero escrever, nem que seja para falar da formiga que subia pela tua perna esquerda [era um formiga afinal?]. quero te escrever para falar da música que toca ao longe, do mar de cores que desmaiam nesse fim de tarde por aqui. quero te escrever para dizer o que indizível. para compartilhar algo que não sei de onde vem, mas que de súbito tomou conta de mim como um sopro de vida, e assim, de barro me fiz mulher. não me pergunte [ou pergunte] sobre como isso aconteceu. digo apenas que eu sentia que aconteceria e à medida que os dias iam passando tudo em volta sinalizava que o sopro divino estava próximo. não que o barro fosse nada. o barro era muito e pleno em suas formas delicadas e rústicas. mas a hora é de fazer [me] mulher e abraçar a vida e caminhar sobre as águas tranquilamente observando as ondas sutis que cada passo propaga.

querido amigo, jamais imaginei nem em sonhos oníricos poder caminhar sobre as águas, atravessar o oceano e descobrir as minhas partes deixadas ao longo dos séculos pelo caminho. percorro de volta a estrada que me trouxe, certa de que a volta é um novo e esplêndido caminho.

deixo-te agora sem hierarquias [estou farta de hierarquias!]

sempre tua,

A.L.

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