segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sobre Virgílio e Minhas Sentimentalidades

Suas palavras deixaram-me sem fôlego, Caio. Desejei por um lapso de tempo encontrar alguém que me olhasse [e me visse?]com esse teu olhar sobre Virgílio. Eis meu maior pesar: Não ter conseguido despertar  os afetos que ele, sorrateira e abundamente, acordou. (dramática)

Foi minha ficção, não foi? Foi a farsa de amar um Caio Marques inventado [por mim ou por ti?] que fez com que não me amasse mais [algum dia terá me amado?].Passo os dias e as horas compulsiva em busca de tuas cartas. Elas não chegam, Caio. Não tens mais olhos para mim. Só podes ver [e viver] Virgílio. (mimada)

Não fosse esse ciúme infame [de onde vem?], que assaltou-me a alma desde que soube de Vírgilio em tua vida, eu te contaria sobre as belezas que tenho vivido [sim, tenho vivido!] Não tens idéia... Sei que pareço Maria Emília ao misturar o ciúmes à minha narrativa corriqueira, mas a verdade [se é que sei o que é a verdade] vem se desvelando aos poucos: Não saberia viver sem o drama [saberia?]

E Caio Marques [aquele que criei] está se virando do avesso dentro de mim, cada vez que bato as pestanas. Sabes o que é isso? Cada memória do que vivi [ainda não sei o que realmente vivi], cada lembrança é surreal. Não consigo entender como não vi, o que para ti era cristalino. Como não me dava conta do tamanho daquela farsa. Como me submeti? Sim, agora sei, eu me submeti. O que faz uma mulher como eu submeter-se assim a um homem? Sinto-me a própria Scarlet O'Hara a apoiar-se no arbusto, ocaso atrás de si ''jamais hei de submeter-me novamente''!

Conversando com D. Marocas - velha bruxa boa - dei-me conta de que ele é um sociopata e eu quase poderia ter sido chamada 'esquizofrênica', tal o grau da fantasia criada  [em mim ou por mim, afinal?] ao enroscar-me naqueles braços longos e naquelas palavras doces cheias de afetos e carentes de sentido.

Ah! Perdoa-me o destempero. Mas estou tão aliviada por tê-lo pelas costas e ao mesmo tempo me indigna meu comportamento. Hei de perdoar-me, Caio A. Mas por ora, um carrossel gira e gira em minha cabeça, tonteando o coração e embolando a racionalidade que me resta. 

Não falarei sobre isso agora. Vou sorver contigo esse prazer intenso que é a descoberta do novo amor. Vou brilhar meus olhos em uníssono com os teus e derramar sobre Virgílio e sobre ti, minhas mais sinceras bençãos. Afinal, afeto é o que nos une. Seja feliz, meu amigo e viva esse minuto como se fosse o último, a cada piscar de olhos.

Afetuosamente,

Anita Lopes 

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